Pois que sinto saudade.
Da tua mão que me afagava alma e cabelos quando as manhãs eram tão mais claras do que hoje. Da minha mão que desenhava sóis na tua pele toda vez. Do meu corpo respondendo ao teu, como se meu não fosse.
Éramos eu e tu, o mundo inteiro. O teu beijo certeiro, o teu corpo que eu lambia, pois que sinto saudade. Tua língua nos meus seios, os veios de mim pulsando, eu me abrindo pronta, úmida, tonta e entregue aos teus volteios. Fora e dentro, dentro, dentro, eu te querendo tanto e mais.
Pois que tenho saudade da camiseta branca emprestada, do gosto da tua pele e dos teus pelos, do cheiro do teu xampu no meu cabelo. E choro a falta do meu corpo que gemia ao teu contato, o teu suor misturado, tua saliva em mim. Choro a falta dos gritos que eu podia, do teu olhar perfeito em meu olhar enquanto me fodia, da tua voz de Javier Barden no meu ouvido.
Pois que sinto saudade de gozar na tua boca. De sentir os teus dentes me mordendo a nuca, imobilizado o meu corpo pelo peso do teu, pelos teus movimentos firmes. Fora e dentro, dentro, dentro, eu feito um bicho te querendo tanto e mais.
E hoje, esta manhã sem sol, a camiseta branca sobre a cama, o teu perfume ainda misturado. A solidão na ponta dos meus dedos molhados de mim, entremeios que percorro buscando a tua presença, lembrando. Choro miúdo a ausência da tua língua nos meus mamilos duros, da sucção perfeita que a tua boca fazia. Choro miúdo pelos meus dedos apressados, solitários, tentando o momento que era perfeito contigo. Eu sigo, é preciso, os dedos continuam o serviço, que já não me resta escolha ou destino. Eu gozo miúdo como choro, quieta, em silêncio contrito.
Pois que sinto saudade, eu admito.
Dos gritos que já não posso.
Marian K.

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