quarta-feira, 14 de março de 2012

Hoje não...

Não tô pra sexo hoje, ela disse. Estava alta, tinha bebido vinho e queria discutir todas as questões existenciais do mundo, mas não queria ser tocada. Com ela é assim. Se a maioria das mulheres quer falar de sacanagem e principalmente fazer sacanagem quando flerta com Bacco, ela foge. Faz peripécias sexuais, desde que sã. Já transou com homem, com mulher, com mais de um, com mais de uma e o diabo de quatro (ou a quatro), tudo sã. E toda vez era a mesma história. Primeira saída com o cara, ele a embebedava e tomava no rabo. A mulher era boa de papo, bêbada. Mas todo mundo sabe que se os homens embebedam as mulheres no primeiro encontro, obviamente é pra que eles assumam o controle imaginário da situação, e não pra que elas abram as pernas com mais facilidade. Porque segurança é tudo. Segurança é virilidade. Ih, fiquei com dó daquele cara ali atrás, que não sabia disso! Disse a palestrante, enquanto gargalhava – levemente entorpecida pela taça de vinho que tomou de estômago vazio. E aí ela disse que não tava pra sexo e não tava mesmo. Conversaram muito, até ele odiar todas as opiniões marxistas dela, embora ele se considerasse de esquerda e defendesse várias opiniões no seu Facebook for iphone. Ela riu muito da cara dele por isso, ele se sentiu acuado.Foram embora, cada um pra sua casa. Ele não comeu ela, ela não deu pra ele. E tudo podia ter sido diferente se eles tivessem saído no domingo à tarde, ao invés de sábado à noite. Acho que esse texto não ficou sexy. Realista demais pra ser sexy, gente. Desculpem-me. 


Alícia R.

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