sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

solace verberato



Que há de errado na melancolia? Que há de errado no tom das vozes iludidas? Que há de errado no pesar, na perda, no instante da partida? Nada há de errado na tristeza humana. Nada há de errado em sentir-se só o narciso ressecado em meio ao rio. Nada há de errado no vazio que preenche o precipício. Parte de nós o suplício para que nos venha celebrar a face o riso. Nada há de errado ao narciso. Nada há de errado em mim. E se me implica martírio e isolamento meu timbre, por deus, deixa-me sentir. Deixa-me, por deus, meu sentir. Pois varre da janela o vento da rotina. Que é isto que me queima em febre a carne por tempos amortecida? Que é isto que subtrai de mim sentimentos que eram somente meus? Nunca em vida eu me deixei abater. Era soldado. Era deus. Eu costumava ser de minha propriedade até este momento que previsto crime de mim furtou o olhar, a fala, a palavra que sólida arquejava sensatez e equilíbrio. É quando visto a cama em lençol de seu aroma inebriado que sinto o amor finalmente enlaçando-me com seus artifícios bélicos e eu me distraio de mim. Tenho apenas a febre. A inflamação. A bruta combinação em pele que ouso tocar para depois saber que não há outra identidade senão esta. De amor tenho vivido. De amor serei precisa ao dizer a todos que me deixem viver os dias sem que horas me corrompam. Que se cale a margarida repetida de alegrias. Que se cale o modernista que arquiteta mínimo poema. Que se calem todos. Eu insisto em existir. E se causa cólera minha palavra em forma de vida, silencie sua voz o prático racional festivo. É de amor que vibra meu timbre. E tudo que é amor me dói em vasto sentido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário