domingo, 4 de março de 2012

Respirar fundo, me lembre


Num dia desses uma amiga me disse: "Respira fundo, sempre que apertarem as coisas aí."

Simples e sábio conselho.
Respirar fundo, recolher muito ar, esse que é tão necessário a vida humana.
É dele que vou lembrar precisar sempre que achar que a unica coisa de que necessito é você.

Thaina farias

Deixe ele entrar

Está tudo podre. O corpo não tem mais calor algum. O rosto que já ficou enrubescido, hoje preserva uma palidez mórbida e fria. São três da manhã e ainda está acordado. Uma fumaça saí de seus suportes, arranhando o céu infeliz. Matou a fome com restos mortais. Poupou-lhe os olhos, que não deveriam ser tão suculentos, mas que um dia brilharam de saudade.


Katiuska Pellegrini

Com raiva e sem título.

Ei, quer saber? Eu nunca fui fútil do jeito que vocês acham que devo ser.
Tenho aversão a gente assim.
Eu me preocupo com o bem comum, com o coletivo e preservo também o que não é meu. Até os sentimentos. Eu já me senti estranha por isso, já desejei ser como a maioria, mas hoje eu estou mais do que contente em ser diferente e até excluída.

Coisas que aprendi com a correria do dia-a-dia:

  • que nenhum desedorante dura 12 horas. 24 então... Só os do futuro!
  • que qualquer africano maratonista fica pra trás perto de um ser atrasado e prestes a perder o ônibus.
  • se andar, manobrar a mochila e colocar a camisa ou tirar o casaco fosse modalidade esportiva, a medalha viria fácil, fácil.
  • a comer andando e andando rápido
  • a dar dribles de deixar Neymar no chinelo para não pisar em ninguém no trem ou no ônibus.
  • que a bolsa de contas de Hermione Granger não existe, mas que ela se parece muito com minha mochila, ah parece.
  • dar valor a minha cama, minha casa e o tempo que você passa nela, ainda que seja sem fazer nada.


Thaina Farias

Pau que nasce torto, se endireita?


Dentre os temas para discussão no blog que vivem rondando minha cabeça, a má índole é o que mais me inspirou nos ultimos tempos. Tenho pensado tanto no assunto, que resolvi até mesmo saber o que pensam as pessoas para me ajudar a pensar com mais clareza nisso. São muitas as perguntas que me vinham a mente, tais como má índole é genético? O que influencia? Será que algo precisa mesmo influenciar? A pessoa já nasce desse jeito? A pessoa reconhece que tem má índole?
Foi complicado achar respostas. Na verdade eu não achei tantas, mas ler sobre o assunto e ouvir opiniões me ajudou a entender sobre essa deficiência de caráter de algumas pessoas. A primeira coisa a se dizer é: a má índole não tem cura. Na verdade todos sabemos que a construção de caráter é algo que leva tempo e começa desde criança, na verdade, desde antes do nascimento. Tudo, tudo mesmo contrubui para que uma pessoa se bandeie para o lado da picaretagem, desde o tempo em que ela passou dentro da bolsa d'água, até as amizades diretamente ligadas a ela ou aos pais, o ambiente onde vive, o modo como foi educada para reagir a impulsos ou a momentos de fúria e por aí vai. Agora sim dá pra concluir que a índole se constrói partindo de diversos fatores, ela não pode ser definida antes do nascimento ou na infância, apenas dá para se ter uma ideia de como será os comportamentos futuros de uma criança baseando-se em como ela é educada, as pessoas que convivem com ela, as amizades que fez e o ambiente que vive.
A pessoa que carrega a má índole acaba desenvolvendo uma capacidade de auto-sabotagem. Explico. Quando se mente uma vez, não se está isento de mentir de novo e de novo, geralmente pessoas com essas características se atrapalham com suas próprias mentiras, pois querem sempre reconhecimento, sucesso e é por isso que lutam, a qualquer custo. Acredito que todos conhecem pelo menos uma pessoa com essas características. Eu conheço e, de verdade, não quero acreditar que isso não tenha cura, que não possa mudar. Talvez o reconhecimento seja o primeiro passo, talvez.
A discussão fica em aberto e eu refaço a pergunta do título para que pensem e/ou respondam, pau que nasce torto, se endireita?

O brinco

Pode ser que como as estrelas
as coisas estejam separadas
por pequenos intervalos de tempo
pode ser que as nossas mãos
de um dia para o outro
deixem de caber
umas dentro das outras
pode ser que no caminho para o cinema
eu perca uma de minhas ideias
preferidas
e pode ser
que já na volta
eu me tenha resignado
alegremente
a essa perda
pode ser que meu reflexo sujo
no vidro da lachonete
seja uma imagem de mim
mais exata
do que esta fotografia
mais exata do que a lembrança
que tem de mim
uma antiga colega do colégio
mais exata do que a ideia
que eu mesma
agora tenho de mim
e portanto pode ser
que a moça cansada
de olhos tristes
que trabalha na lanchonete
tenha de mim uma imagem
mais fiel
do que qualquer outra pessoa
pode ser que um gesto
um jeito de dobrar
os lábios
te devolva
subitamente
toda a infância
do mesmo modo que uma xícara
pode valer uma viagem
e uma cadeira
pode equivaler a uma cidade
mas um cachorro estirado ao sol não é o sol
e uma quarta-feira não pode ser o mesmo que
uma vida inteira
pode ser
meu querido
que esquecendo em sua cama
meu brinco esquerdo
eu te obrigue mais tarde
a pensar em mim
ao menos por um momento
ao recolher o pequeno círculo
de prata
cujo peso
o frio
você agora sente nas mãos
como se fosse
(mas ó tão inexato)
o meu amor.

Be here now

Distância. Uma coisa que, definitivamente, não precisava existir. Desde que você se foi minha vida mudou muito. Foi como se eu tivesse perdido uma parte de mim, essa parte que era você. Só não digo que minha vida ficou péssima, porque ainda tenho alguns de meus amigos e mantenho o mínimo, que seja, de contato com você. Pior seria se não nos falassemos mais. Não gosto nem de pensar nisso. Mas enfim. Se eu te disser que não paro de pensar em você, não sei se acreditaria… Aliás, você nunca acreditou no que eu sentia/sinto por você. Sempre falou que era besteira, que iria passar. Não passou. E eu ainda te amo. Depois que você partiu a minha vida se tornou só em saudades e lembranças…. Será? Será que você se lembra de mim? Será que você já tem outra pessoa? Será que você sente a minha falta ao menos como eu sinto a sua? Tsc, não sei. Mas é horrível para mim pensar que fui somente mais um na sua vida.


(Não sei dá onde veio isso)