
Dançar ou escrever, eis a questão. Eis que a música é porta aberta e pé na estrada e eu, viajante em arabesco, não vou dormir, prá que roncar? Talvez sonhar. Ela pensava - o que é mais nobre? Um conventilho ou ir con_vento à um bordel? Não há ofélia afogada desafinando em tom pastel. Não cantarei com o fantasma aquela ópera. Eu dançarei e escreverei palavra in_certa. E neste ensaio ou dançarei com Hamlet ou citarei os solilóquios da minha in_sanidade. Porque morrer é só uma peça com dois atos. Se eu viajar posso voltar ou não voltar. Eis a questão - Serei, por não estar ou não serei por simples ser em meu estar? Onde en_fiar todos os sonhos se o acaso me as_saltar, sem paraquedas nesta vida? Meu hamlet, dá-me o prazer de ser meu par em uma dança? Eis a questão, ser ou não ser menos que um par e mais que um ente, um ser humano? Escrevo palavras difíceis porque me roubaram o tempo. Dou mais um tempo à palavra e ao papel. Neste papel eu serei hamlet ou ofélia? Estou in_quieta pela estréia. Não sinto dor naquele d'ente que eu não tinha. Eu quero um doce escorrendo em minha boca. É doce o mel e o colo. Sem meu colar, dá-me teu colo? Boa questão. Se do guerreiro a esperança, eu sou o molde da etiqueta e da elegância. Estou guardada em meu vestido, semi-aberto e transparente. Iniludível a escolha nesse vôo do pardal. Voar ou não voar? E o que é mais nobre para a alma – ser ou não ser?
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