domingo, 1 de novembro de 2009

Aquarela de palavras perdidas

Desisti de falar das mãos inseguras
Das perguntas sem resposta
E da máscara de espinhos.
Que ninguém acredite no reflexo do espelho
Nem esqueça o que há por trás do exoesqueleto
As armaduras sejam esquecidas na Idade das Trevas
E faça-se a luz.

Das minhas confissões e confusões


Confesso que andei muito rápido.

Confesso que dei um passo a mais.

Confesso que olhei para os lados.

Confesso que, procurando, olhei para trás.

Confesso que demorei a entender a parada.

Confesso que também quis parar.

Confesso que andei mesmo assim.

Confesso que tanto fez, para mim.

Confesso que não saber onde estava foi o que me fez parar.

Confesso que estou andando para trás.

Confesso que não é o meu lugar.


Talvez eu mude a direção.




Senhores do meu caminho

Sou livre para seguir os senhores que escolho
Mas, se te escolhi, não quer dizer que me governes
Não mudes a direção de tua busca
Não altere os passos do teu caminho
Minha escolha depende apenas
Do lugar aonde vais sozinho.

Impermeável

Cansei de falar de chuva...
Ela molha e quase me afoga!
Ah, chuva indecisa...
Vou procurar outra metáfora
E me tornar impermeável.

Chegou o chão


A nuvem cobriu a Lua Cheia
E me choveu inteira.
Não deixa a tempestade cessar dentro de mim...

Irrecusável

♪ Você é a minha cura
Se é que alguém tem cura
Você quer que eu cometa uma loucura?
Se você me quer... cometa!

Talvez

Tão menos poética eu fico quando não há nada que me aflija... Tão poucas figuras eu encontro na serenidade e na alegria... Talvez eu enxergue a felicidade de uma forma tão direta que não admita distorções. Talvez eu consiga extrair beleza da dor. Talvez consiga distorcer a angústia, entortá-la a ponto de fazer a espera desesperada parecer menos incômoda. Ou talvez eu simplesmente não espere mais. Talvez haja ainda anseios. Sempre haverá. Mas eu talvez tenha cansado de viver sonhando, esperando algo que não vai chegar. Talvez as palavras tenham me deixado porque eu não preciso mais delas como ponto de fuga. E talvez, apenas talvez, eu não precise mais me distrair da realidade. Talvez eu tenha descoberto tudo isso um pouco tarde.Mas há tempo, há tempo... Ah, o tempo!Talvez eu não precise de tempo... Talvez não tenha tempo a perder!